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  • Erick Medeiros

A importância da contabilidade para as startups e PMEs

As empresas de pequeno porte / startup exercem um papel de destaque na economia paulista e nacional pois são grandes geradoras de empregos, além de terem uma parcela significativa no PIB nacional e consequentemente no crescimento da economia.

Através de um estudo realizado pelo Sebrae-SP, Sobrevivência e Mortalidade das Empresas Paulistas de 1 a 5 anos, notou-se que em torno de 56% das empresas paulistas fecham antes de completarem 5 anos de “vida”, representando desemprego e uma enorme perda financeira para economia nacional.

Conforme MOTTA (2000), são vários os fatores que provocam a falência das empresas de pequeno porte, entre eles: a opressão das grandes empresas, limitações do mercado, dificuldades na obtenção de recursos financeiros, o gerenciamento do capital de giro, a elevada carga tributária brasileira e a baixa capacidade dos pequenos empresários para gerir financeiramente seus negócios.

Entre os pontos críticos das empresas de pequeno porte que foram levantados através da pesquisa elaborada pelo Sebrae-SP, estão os seguintes:

Excessiva carga tributária;Falta de uma boa gestão do negócio após a abertura;Falta de capital de giro;Problemas de planejamento/administração;Falta de lucro.

A história da contabilidade está ligada às primeiras manifestações humanas da necessidade social de proteção à posse, perpetuação e interpretação dos fatos ocorridos com o objeto material de que o homem dispôs para alcançar o seu propósito.

Sabe-se que o contador deve apresentar amplas competências em matéria de gestão, de finanças, jurídica e social, pois os dirigentes demandam maiores disponibilidades e rapidez nas intervenções, assim como a capacidade de tomar decisões.

No Manual de Contabilidade, encontramos a seguinte descrição do que vem a ser um dos principais objetivos da contabilidade e diretamente do contador:

“A Contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à entidade objeto de contabilização”.

A Contabilidade como ciência demonstra enorme potencial em seus instrumentos e modelos teóricos em atender às qualificadas exigências do mercado globalizado, necessitando, no entanto, que seus profissionais tenham uma melhor interpretação do atual contexto dos negócios. O mundo globalizado promoveu relevantes mudanças na gestão dos negócios, e o conceito de crise está, em sua maior parte, em não se compreenderem as novas tendências e regras de mercado (ASSAF NETO).

Conforme afirma LOPES e MARTINS, “a contabilidade não pode ser considerada como uma mera técnica e que, ao invés de exata, ela é socialmente construída e determinada. Dentro desse processo de construção da contabilidade, o contador, naturalmente, possui papel central. Seus interesses, estruturas de poder e controle exercem papel-chave nas empresas modernas”.

A contabilidade teria que ser um instrumento que permitisse ao dono do empreendimento acompanhar o desenvolvimento de seu negócio. Isto é, os registos contábeis de uma empresa deveriam servir para o gerenciamento de suas atividades, conforme menciona GUAGLIARDI.

Sabendo que o principal problema da empresa de pequeno porte é a falta e má administração do seu capital de giro, o contador com toda a sua experiência e conhecimento da área financeira, poderia elaborar e analisar  relatórios financeiros essenciais para um maior controle e auxílio na gestão do pequeno empresário, como por exemplo uma demonstração do fluxo líquido de caixa.

Segundo MATARAZZO (2003), as principais informações que podem ser extraídas dessa demonstração são:

O que foi feito com o lucro gerado pelas operações;Quais as causas das mudanças na situação financeira da empresa?Qual a aplicação feita com os novos empréstimos?De que forma a empresa consegue manter seus pagamentos em dia se os resultados vêm sendo negativos?Como está sendo financiada a expansão da empresa?Por que a empresa teve de tomar empréstimos se seu lucro mais a depreciação são superiores aos investimentos em Imobilizado?Com que recursos a empresa amortizou antecipadamente dívidas de longo prazo?

Como pode ser visto acima, são informações bastante úteis para o empresário de pequeno porte, e principalmente para as startups, pois ajudariam muito na gestão da empresa, sendo que muitas das perguntas colocadas acima o empresário de pequeno porte não saberia responder.

É indispensável para qualquer empresa, independente do porte, um planejamento financeiro e tributário, porém ao elaborar o planejamento financeiro e tributário da empresa, um dos pontos essenciais para o sucesso do negócio estará no controle eficiente das finanças, envolvendo fluxo de caixa, demonstração de resultado, balanço patrimonial, análise de capital de giro, análise das variações do orçados vs realizado, controle eficiente dos estoques, análise das vendas (sazonalidade) e análise dos empréstimos e financiamentos.

Portanto, o sentimento do autor desse estudo, o Contador deveria ter as seguintes atribuições quando presta serviço de contabilidade para uma empresa:

Auxílio e elaboração do planejamento financeiro;Auxílio e elaboração do controle financeiro;Auxílio e elaboração do planejamento tributário e apuração de impostos.

Em resumo, o contador deveria parar de apenas registrar os fatos e começar a entender o negócio que a empresa está inserida, pois só assim, o profissional de contabilidade conseguiria alcançar um patamar importante dentro do ambiente dos negócios numa empresa de pequeno porte / startup.

BIBLIOGRAFIA

ASSAF NETO, Alexandre. Finanças Corporativas e Valor -  1º ed. São Paulo: Editora Atlas, 2003.

FIPECAFI. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. São Paulo: Editora Atlas, 2000.

GUAGLIARDI, José Augusto. Desregulamentação e simplificação de procedimentos para as Micro e Pequenas Empresas. São Paulo: FIA, 1992.

LOPES, Alexsandro Broedel; MARTINS, Eliseu. Teoria da Contabilidade: Uma Nova Abordagem. São Paulo: Editora Atlas, 2005.

MATARAZZO, Dante C. Análise financeira de balanços: abordagem básica e gerencial. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003

MOTTA, F.G. Fatores condicionantes na adoção de métodos de custeio em pequenas empresas. Dissertação de Mestrado, São Paulo: Universidade de São Paulo, 2000.

SERVIÇO Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Como abrir seu próprio negócio: manual prático de iniciação empresarial. Brasília: SEBRAE, 1992.p.6.9.

SERVIÇO Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Sobrevivência e Mortalidade das Empresas Paulistas de 1 a 5 anos. São Paulo: SEBRAE, 2005.

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